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Os profissionais da saúde encontram-se diante de um desafio: todo o conhecimento biológico, médico e terapêutico não consegue responder a diversas enfermidades que assolam os seres humanos. São doenças misteriosas, sem explicação, mesmo contando com exames de alta tecnologia ou, então, curas espontâneas em indivíduos condenados à morte pelos médicos.
Por isso a ciência da saúde tem devotado esforços para compreender os caminhos pelos quais se constrói um organismo saudável. Assim, novas áreas de pesquisa, como a psiconeuroimunologia, e diversas especialidades surgem ou são redescobertas (médico de família).
Esses esforços nos conduziram a deparar com o holismo, princípio da saúde defendido por sistemas de saúde milenares, como a medicina tradicional chinesa, ayuverda, entre outros...
Holismo em saúde não se trata de nada esotérico e, sim, de uma abordagem integrativa e de respeito às capacidades orgânicas naturais, em que o indivíduo é o centro das atenções, não a doença.
Compreende-se que o homem não seja somente uma máquina formada por várias peças mecânicas, que precisem de reparo quando quebram, mas um todo, indivisível, muito maior e complexo que a soma de todas as suas partes isoladas.
O homem é corpo, mente e espírito.
A.T.Still, D.O.
Isso nos leva a reconhecer que, para auxiliar o paciente a encontrar um estado de saúde favorável, necessitamos compreender o papel da "tríade da saúde", que inclui estrutura física, processos bioquímicos e estado espiritual/mental. Quando os três componentes estão integrados e equilibrados, o ser humano é saudável e funcional (homeostase). O desequilíbrio em uma ou mais das áreas citadas representa "desconforto”, deficiência e/ou incapacidade.
É mais importante conhecer o paciente que tem a doença do que a doença que o paciente tem.
Sir William Osler, M.D.
Uma abordagem holística em vez de “localista” para o paciente exige considerar todos os fatores que possam representar fontes de desequilíbrio. E aí se incluem macrotraumatismos, microtraumatismos cumulativos, angústia psicológica, deficiências nutricionais, infecções, influências ambientais e ergonômicas..., sempre buscando entender o papel amplo dos agentes e os mecanismos do estresse negativo (síndrome da adaptação geral).
A capacidade do indivíduo de lidar com essas influências negativas é conhecida por potencial adaptativo. Com saúde, seu potencial adaptativo é alto; na doença, baixo.
Vantagem da abordagem holística: seja qual for a via de intervenção (somática, psíquica ou nutricional), a pessoa sempre vai no sentido de restabelecer o potencial adaptativo. Esse processo eleva a tolerância do paciente, aumentando a capacidade de resposta biológica dos tecidos, de modo a resultar em melhora da saúde e do bem-estar global.
Dentro dessa visão, a fisioterapia vem incorporando às suas especialidades e abordagens diversas outras ciências que tornam o trabalho do fisioterapeuta mais efetivo. Para isso recupera e desenvolve a base científica para utilização de diversos procedimentos que trabalham baseados nos princípios do holismo, como acupuntura, osteopatia, PNI, cadeias musculares, posturologia e outras.
Enfim, a abordagem holística da saúde, já sob a tutela da ciência, fortalece o organismo e assim permite melhor adaptação e tolerância aos agentes estressores a que somos expostos no dia-a-dia, melhorando a "qualidade da saúde" e a qualidade de vida.
Felipe Vieira Pellenz
Pós-graduado em Osteopatia (Escuela de Madrid), especialista em Traumato-Ortopedia Funcional (Coffito); professor das disciplinas de Recursos Terapêuticos Manuais e Diagnóstico por Imagem (Faculdade Dom Bosco); coordenador da pós-graduação em Terapia Manual e Controle da Dor (Faculdade Dom Bosco).